RESGATE HISTÓRICO
Paulo Verlaine
Jornalista, Coordenador de Acervo e
Memória da Associação 64/68 Anistia.
“Nenhum caminho de fl ores
conduz o homem à glória”.
La Fontaine
“O importante é competir” é o ideal dos antigos gregos,criadores dos Jogos Olímpicos. A chama que não se apaga. O lema deveria guiar toda modalidade esportiva. Mas o que se verifi ca, na prática, é a variante exacerbada dessa orientação: o importante é ganhar. Derrota e vitória adjetivada, tipo “vitória moral”, não interessam. Apenas vitória, pura e simples. É a pragmática realidade tão distante do sonho helênico.
O esporte alivia as pulsões arquetípicas do ser humano:a agressividade, inclusive. Conclusão indiscutível, objeto de muitos estudos na área da Psicanálise. Daí sua utilização por ideologias e governos de todos os matizes ao longo da história, principalmente do século XX em diante, como forma de manipulação das massas.
O Ceará Sporting Club, ao longo de sua história quase centenária, participou e sofreu influências das mudanças sociais, políticas, culturais, técnicas e comportamentais ocorridas nessa longa trajetória. Por isso, o Centro Cultural do Clube Alvinegro, com apoio da presidência da agremiação e tendo a colaboração da Associação 64/68 Anistia, resolve oferecer ao público cearense, principalmente à grande e valiosa torcida do Vozão, este livro, trata da ligação do futebol com a política, tendo como mote a homenagem prestada ao jogador Fernando Antunes Coimbra, ex-atleta do time alvinegro, vítima de prisão e perseguições durante a ditadura militar vigente no Brasil
de 1964 a 1985. É uma contribuição à história do clube que se tem pautado pela não discriminação de pessoas,independentemente de suas convicções políticas, etnia ou crença religiosa. O fato é reconhecido por Antunes em depoimento a este livro, quando ele declara que não foi “perturbado, nesta rápida passagem pelo Ceará pelos algozes da democracia”.
Como diz a socióloga e professora de Ciências Sociais da Universidade Federal Ceará - UFC - Adelita Neto Carleial, em artigo publicado neste livro, “exemplos históricos registram o incentivo ao esporte por Mussolini que investiu fortemente em infraestrutura esportiva, construiu estádios e sediou na Itália a Copa do Mundo de 1934, além de Hitler com as Olimpíadas de Berlim, em 1936, que serviu para propaganda nazista da raça alemã”.
O professor e historiador Airton de Farias vai mais adiante, noutro capítulo: “O futebol não está à margem - Ele é a sociedade e não escapa a questões políticas, culturais, de classes, a estratégia de dominação das elites, as
táticas de resistência dos oprimidos, como acontece em qualquer agrupamento humano”.
A Segunda Guerra Mundial interrompeu a realização da Copa do Mundo de Futebol. A última Copa do Mundo antes do mega-confl ito ocorreu na França, em 1938. Outra Copa o mundo só veria em 1950, de triste memória para os
brasileiros, porque a competição teve lugar no Brasil, com a célebre final Uruguai 2 x Brasil 1, em pleno Maracanã. A Seleção Nacional, que já cantava vitória, entrou no campo precisando apenas de um empate. Deu no que deu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário